EDUSTAT - O risco de pobreza em Portugal está a diminuir, mas continua a afetar mais de 1,67 milhões de pessoas

O risco de pobreza em Portugal está a diminuir, mas continua a afetar mais de 1,67 milhões de pessoas

outubro de 2026

O Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza, celebrado em 17 de outubro, é uma data de grande relevância social e humana. Criado pela Organização das Nações Unidas em 1992, o dia tem como propósito sensibilizar a comunidade internacional sobre a urgência de eliminar todas as formas de pobreza, em especial a extrema pobreza, que ainda afeta milhões de pessoas em todo o mundo.

Para assinalar esta data, o EDUSTAT resume alguns dos principais indicadores em Portugal, designadamente como tem sido a evolução ao longo do tempo, quais os grupos demográficos mais afetados bem como se enquadra a realidade portuguesa no contexto europeu.


O que significa estar em risco de pobreza?

A linha de pobreza corresponde ao limiar do rendimento abaixo do qual se considera que uma família se encontra em risco de pobreza. Este valor foi convencionado pela Comissão Europeia como sendo o correspondente a 60% da mediana do rendimento anual por adulto equivalente de cada país. Em 2025, este montante foi, em Portugal, de 8.679 euros, ou seja, cerca de 723 euros por mês.


O risco de pobreza atinge o valor mais baixo das últimas décadas

De acordo com os dados do Eurostat, em 2025, mais de 1,67 milhões de pessoas em Portugal viviam em risco de pobreza, o equivalente a 15,4% da população residente. Apesar de este número continuar a ser expressivo, representa uma redução de mais de 100 mil pessoas face ao ano anterior já que, em 2024, cerca de 1,77 milhões de pessoas encontravam-se nesta situação, correspondendo a 16,6% da população.

Nas últimas décadas, a proporção da população portuguesa em risco de pobreza tem vindo a diminui de forma gradual. Em 1995, esta percentagem situava-se nos 23%, um valor significativamente superior ao registado em 2025. De facto, o último ano apresentou a menor proporção de pessoas em risco de pobreza dos últimos 30 anos, ou seja, desde o início da série estatística.

Analisando mais ao pormenor a última década, a variação da taxa de risco de pobreza tem acompanhado a evolução dos ciclos económicos. Durante a crise financeira, a percentagem da população nesta situação aumentou de 17,9% em 2012 para 19,5% em 2014 voltando a decrescer nos anos subsequentes. Mais recentemente, durante a crise pandémica, verificou-se um novo aumento de 16,2% em 2020 para 18,4% em 2021, antes de recuar para 16,4% em 2022.

A taxa voltou a aumentar em 2023, para 17%, o que correspondeu a mais de 85 mil pessoas em risco de pobreza face ao ano anterior. Em 2024, a tendência inverteu-se e a taxa desceu para 16,6% e, em 2025, caiu para 15,4%, atingindo o valor mais baixo da série.


Mais de 1 a cada 6 pessoas em Portugal vive em risco de pobreza ou exclusão social

Mais recentemente, no âmbito da Estratégia Europa 2020, a União Europeia, através do Eurostat, criou um indicador alternativo – risco de pobreza ou exclusão social – que visa medir, para além da pobreza monetária, a vulnerabilidade das pessoas em mais duas dimensões: privação material e social severa e também a baixa intensidade de trabalho no agregado familiar.

O risco de pobreza ou exclusão social em Portugal tem também seguido uma tendência de decréscimo na última década, ao decrescer de 26,4% em 2015 para aproximadamente 18,6% em 2025. Não obstante, os valores são superiores ao risco de pobreza monetária.



O risco de pobreza em Portugal é inferior à média europeia

Em 2025, a taxa de risco de pobreza em Portugal (15,4%) ficou 0,9 pontos percentuais abaixo da média europeia (16,3%). Entre os 27 Estados-Membros, Portugal ocupava a 15.ª posição dos países com a maior percentagem da população em risco de pobreza.

Face a 2024, Portugal registou uma das maiores descidas na União Europeia: menos 1,2 pontos percentuais, uma redução apenas superior à observada no Luxemburgo e na Eslováquia. Esta evolução contrasta com a tendência de subida registada na maioria dos países da UE.

A nível europeu, o risco de pobreza oscilou, em 2025, entre valores superiores a 20%, designadamente em países da Europa de Leste como a Lituânia, Letónia e Bulgária e valores inferiores a 12% como a Chéquia, Bélgica e Dinamarca.



Idosos, jovens, pessoas com baixas qualificações e mulheres são os grupos mais expostos à pobreza

O risco de pobreza não é uniforme entre os diferentes grupos da população portuguesa. No caso da faixa etária, a taxa de risco de pobreza foi, em 2025, mais elevada nos mais jovens (17,6%) e nos idosos (17,8%) em comparação com a população dos 18-64 anos (13,9%).

O nível de escolaridade é também um fator preponderante. Em 2025, 22% das pessoas com apenas o ensino básico encontrava-se em risco de pobreza, um valor bastante superior em comparação com a população com o ensino secundário (13%) ou com ensino superior (5,7%).

No caso das diferenças entre sexos, o risco de pobreza foi 1,8 pontos percentuais mais elevado entre as mulheres (16,3%) comparativamente aos homens (14,5%) em 2025. No caso da população com mais de 65 anos, as discrepâncias foram ainda mais assinaláveis com as mulheres deste grupo etário a terem um risco 3,6 pontos percentuais superior ao dos homens (19,4% vs. 15,8%).

Os dados indicam que o risco de pobreza foi sempre superior nas mulheres, independentemente da faixa etária ou nível de escolaridade.



Sem transferências sociais, o risco de pobreza seria muito maior

As transferências sociais são um forte instrumento de redistribuição dos rendimentos e, por conseguinte, de mitigação da pobreza. Estas prestações sociais tanto servem para reduzir o risco de pobreza entre os mais jovens através de medidas como o abono de família para crianças e jovens, como os idosos – pensão social de velhice, complemento solidário para idosos, entre outros – como da população em idade ativa com menos de 65 anos através de prestações sociais como o subsídio de desemprego, proteção na invalidez, doença ou acidente, apoio à exclusão social, habitação, entre outros.

Antes das transferências sociais, 40,7% da população portuguesa encontrava-se em risco de pobreza em 2025. Este risco foi bastante superior entre os idosos (84,2%).

As transferências sociais, incluindo pensões, permitiram diminuir significativamente a percentagem de pessoas a viver abaixo do limiar de pobreza em todos os grupos etários. Mesmo para a população entre os 18 e 64 anos, a taxa de risco de pobreza reduziu cerca de 12,1 pontos percentuais (26% vs.13,9%).



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