O risco de desemprego continua a ser menor para os diplomados das áreas STEM e da Saúde
julho de 2026
A perspetiva de empregabilidade é um dos principais fatores considerados pelos estudantes quando escolhem a área de formação ou o curso superior que pretendem frequentar. A possibilidade de ingressar rapidamente no mercado de trabalho constitui um indicador relevante, sobretudo para jovens com reduzida experiência profissional, contribuindo para uma transição mais fácil entre o ensino superior e o emprego.
Um dos indicadores mais utilizados para avaliar essa transição é a taxa de desemprego dos recém-diplomados do ensino superior. Em 2025, verificou-se que vários cursos de licenciatura e de mestrado integrado registaram uma taxa de desemprego nula entre os seus recém-diplomados.
A presente análise baseia-se nos diplomados dos últimos quatro anos letivos em cursos de licenciatura e de mestrado integrado que se encontravam inscritos como desempregados no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).
A propensão ao desemprego dos recém-diplomados permaneceu abaixo dos 3% em 2025
Em 2025, a propensão ao desemprego entre os recém-diplomados situou-se nos 2,6%, um valor ligeiramente superior ao observado em 2024 (2,5%). Ainda assim, este indicador mantém-se em níveis historicamente baixos desde o início da série, em 2014, permanecendo abaixo dos 3%.
Após ter atingido o valor mais elevado dos últimos 7 anos durante o período pandémico, a propensão ao desemprego dos recém-diplomados tem vindo a diminuir de forma consistente. Depois dos 5,1% registados em 2020, o indicador reduziu-se progressivamente nos anos seguintes, situando-se atualmente em níveis não só bastante inferiores aos observados durante a pandemia, mas também abaixo dos registados em 2019 (3,6%), no período pré-pandémico.
O risco de desemprego continua a ser superior nos cursos do ensino politécnico
A propensão ao desemprego dos recém-diplomados variou de forma significativa consoante o tipo de instituição de ensino frequentada. Em 2025, o ensino público politécnico registou a maior propensão ao desemprego (3,4%), um valor 0,8 pontos percentuais acima da média nacional (2,6%). Seguiu-se o ensino privado politécnico, com uma propensão de 3,0%. Em contraste, os diplomados do ensino universitário apresentaram um menor risco de desemprego, tanto nas instituições do ensino privado (2,4%) como no público (2,2%), ambas abaixo da média nacional.
Analisando por nível de ensino e apesar da extinção dos cursos de mestrado integrado na maioria das áreas de formação, a propensão ao desemprego dos cursos de mestrado integrado situou-se nos 1,2%, uma proporção bastante abaixo dos cursos de licenciatura de 1.º ciclo (2,8%). A este resultado não será alheio as áreas de formação que ainda disponibilizam cursos de mestrado integrado – Arquitetura e Urbanismo, Ciências Farmacêuticas, Medicina, Medicina Dentária e Medicina Veterinária – cujo risco de desemprego tende a ser menor, sobretudo na área da saúde.
A percentagem de recém-diplomados desempregados foi inferior a 2% na Grande Lisboa e na Península de Setúbal
Analisando a propensão ao desemprego por região das instituições de ensino superior, verifica-se que o risco de desemprego dos recém-diplomados foi, em 2025, mais baixo na Península de Setúbal e na Grande Lisboa, sendo as únicas regiões abaixo dos 2%. Em sentido contrário, todas as restantes regiões de Portugal Continental apresentaram valores superiores à média nacional (2,6%). O Oeste e Vale do Tejo destacou-se como a região com a maior propensão ao desemprego (3,7%), seguindo-se o Alentejo (3,3%), a região Norte (3,2%) e a região Centro (2,9%).
A propensão ao desemprego foi superior a 4% nos serviços sociais, informação e jornalismo e artes
O risco de desemprego dos recém-diplomados não foi consistente entre as diferentes áreas de formação do ensino superior. Em 2025, as áreas dos serviços sociais (6,1%), da informação e jornalismo (5,3%) e das artes (4,6%) registaram as maiores propensões ao desemprego, apresentando valores bastante superiores a 4%. Também a ciências empresariais (3,3%) – a área com o maior volume de diplomados no ensino superior –, as humanidades (3,1%) e o direito (3,1%) tiveram níveis de desemprego dos recém-diplomados acima da média nacional.
Em sentido inverso, a saúde continuou a destacar-se, tal como em 2024, como a área com menor propensão ao desemprego (1%). Também as áreas relacionadas com as STEM evidenciaram um risco de desemprego mais baixo, nomeadamente a matemática e estatística (1,3%), as ciências físicas (1,4%) e a engenharia e técnicas afins (1,7%). Estes resultados refletem a elevada procura de profissionais nestas áreas, bem como a maior facilidade de integração dos seus diplomados no mercado de trabalho.
São mais de 80 cursos sem desemprego entre os recém-diplomados
Em 2025, 83 cursos – 74 licenciaturas e 9 mestrados integrados – não registaram qualquer recém-diplomado em 2024. Destes, 51 (cerca de 61%) são em instituições do ensino universitário e os restantes 32 em instituições do ensino politécnico.
Quase 30% – 24 dos 83 cursos – são da área da saúde, com destaque para a Licenciatura em Enfermagem com 9 cursos de diferentes instituições de ensino superior e também a Licenciatura em Fisioterapia, com 5 cursos, e o Mestrado Integrado em Medicina, com 3 cursos. Nas restantes áreas, destaca-se a Licenciatura em Educação Básica com 5 cursos sem qualquer recém-diplomado em situação de desemprego.
No seguinte dashboard é possível consultar o número e a propensão de recém-diplomados desempregados por curso, sendo possível segmentar a análise por tipo de instituição, região e área de formação do ensino superior.