Docentes do ensino não superior cresceram 6% numa década, mas a profissão está cada vez mais envelhecida
setembro de 2026
Assinala-se a 5 de outubro o Dia Mundial do Professor, instituído pela UNESCO em 1994. A data reconhece o papel dos educadores na formação das pessoas e no desenvolvimento das sociedades, e lembra a importância de condições de trabalho dignas, de formação contínua e de valorização da profissão.
Para marcar a ocasião, o EDUSTAT reuniu os principais indicadores sobre os docentes dos ensinos pré-escolar, básico e secundário em Portugal.
Os docentes do pré-escolar, básico e secundário aumentaram cerca de 6% na última década
No ano letivo de 2024/25, o sistema educativo contava com 149.442 docentes nos ensinos pré-escolar, básico e secundário. Face a 2014/15, isto representa um aumento de cerca de 5,6%, o que corresponde a um acréscimo de mais de 8 mil docentes neste período.
A evolução não foi linear. O número de docentes subiu de forma contínua de 2014/15 em diante até ultrapassar os 150 mil em 2020/21 e 2021/22. Seguiu-se uma ligeira descida: entre 2021/22 e 2023/24 verificou-se uma queda de aproximadamente 1,5 mil docentes (–1%). Em 2024/25 a tendência inverteu-se, ainda que pouco significativa, com um aumento de 0,2% em relação ao ano anterior.
O pré-escolar e o 1.º ciclo lideram o crescimento
O aumento não foi igual em todos os níveis de ensino. O pré-escolar (10,4%) e o 1.º ciclo do ensino básico (12,5%) foram os que mais cresceram entre 2014/15 e 2024/25, e atingiram em 2024/25 os valores mais altos da década: 17,8 mil e 31,6 mil docentes, respetivamente.
Já no 3.º ciclo do básico e no secundário, o crescimento foi mais moderado, situando-se em 6,5%, o que corresponde a um aumento de 4,8 mil docentes, totalizando 78,1 mil em 2024/25. No sentido inverso, os docentes do 2.º ciclo do ensino básico reduziram 7,5%, atingindo o valor mais baixo da década, cerca de 22 mil docentes em 2024/25.
Em termos de distribuição pelos diferentes níveis de escolaridade, mais de metade (52,3%) dos docentes lecionavam, em 2024/25, no 3.º ciclo do ensino básico e no ensino secundário, seguindo-se o 1.º ciclo do ensino básico (21,2%), o 2.º ciclo do ensino básico (14,7%) e, por fim, o ensino pré-escolar (11,9%).
Uma profissão maioritariamente feminina e cada vez mais envelhecida
Quase 8 em cada 10 docentes (78,4%) são mulheres. A presença feminina é dominante em todos os níveis, mas é particularmente expressiva nos primeiros anos de escolaridade: 98,9% no pré-escolar e 88% no 1.º ciclo. No 2.º ciclo a proporção é de 72,8% e, no conjunto do 3.º ciclo e secundário, de 71,2%.
No que concerne à idade, os professores são uma classe cada vez mais envelhecida: em 2024/25, cerca de 6 em cada 10 docentes (59,3%) tinham 45 ou mais anos e mais de 2 em cada 10 (22,1%) tinham 55 ou mais. O peso dos docentes mais velhos – com 55 ou mais anos – é ainda maior no pré-escolar (25,1%) e no 2.º ciclo (25,4%).
O rejuvenescimento tem sido escasso. Em 2014/15, quase 1 em cada 4 docentes (23,8%) tinha menos de 36 anos. Em 2024/25, esse grupo representava menos de 10% do total da classe docente.
Relativamente à rede de ensino, a grande maioria (86,7%) lecionava no setor público. Em 2024/25, o peso do ensino público superava os 88% no básico e no secundário. Já no pré-escolar, onde a frequência até aos 5 anos não é obrigatória, o setor privado teve maior expressão, reunindo 39,3% dos docentes, face a 60,7% no público.
Um terço dos docentes leciona na região Norte
A distribuição territorial dos docentes é concentrada. Em 2024/25, a região Norte (33,1%), a Grande Lisboa (19,5%) e o Centro (15,3%) reuniam mais de dois terços do total de docentes. As restantes regiões tinham um peso inferior a 10% cada: Oeste e Vale do Tejo (7,7%), Península de Setúbal (7,6%), Algarve (5%), Alentejo (4,8%), Madeira (3,6%) e Açores (3,3%).
Indicadores a explorar no EDUSTAT: