Desempenho dos alunos portugueses no PISA piorou em todos os domínios
setembro de 2026
O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) avalia a capacidade dos alunos de 15 anos para aplicar os conhecimentos adquiridos em Matemática, Leitura e Ciências. Em 2025, participaram mais de 760 mil alunos de 15 anos, de 91 países e economias, permitindo comparar o desempenho dos sistemas educativos a nível internacional.
Resultado médio dos alunos portugueses piorou nos três domínios
Após a forte quebra registada em 2022, durante o período pandémico, os resultados dos alunos portugueses voltaram a recuar em 2025 em todos os domínios. A diminuição foi particularmente expressiva na Leitura e Matemática, enquanto a Ciências o desempenho manteve-se relativamente próximo do observado em 2022.
Em Ciências, os alunos portugueses obtiveram 482 pontos em 2025, menos 2 pontos do que em 2022 (484). Apesar da ligeira redução, este resultado encontra-se 19 pontos abaixo do máximo alcançado em 2015 (501 pontos).
Na Leitura, a queda foi mais acentuada. O resultado médio foi de 462 pontos, menos 15 pontos do que em 2022 e menos 30 pontos face a 2018. Este foi o resultado mais baixo de Portugal em todas as edições do PISA, ou seja, desde o ano 2000.
Também na Matemática registou-se uma diminuição significativa. Os alunos portugueses obtiveram 460 pontos, menos 12 pontos do que em 2022 e menos 32 pontos face a 2018. Este é igualmente um dos resultados mais baixos da série, apenas superado negativamente pelo registado na primeira edição do PISA, em 2000.
Uma tendência de deterioração que se prolonga desde 2015
Os resultados de 2025 reforçam uma tendência de perda de desempenho que se tornou particularmente evidente após 2015. Nesse ano, Portugal atingiu os valores mais elevados da série nos três domínios: 501 pontos em Ciências, 498 na Leitura e 492 a Matemática.
Desde então, a pontuação diminuiu de forma contínua ou quase contínua. Entre 2015 e 2025, a perda foi de 36 pontos a Leitura, 32 a Matemática e 19 em Ciências. Assim, embora a queda entre 2022 e 2025 seja relevante, os resultados mais recentes devem ser enquadrados numa tendência de deterioração que já vinha de antes da pandemia.
O desempenho dos alunos portugueses está próximo da média da OCDE
A descida generalizada do desempenho dos alunos portugueses não constitui um fenómeno exclusivo de Portugal. Esta tendência foi também observada em vários países da OCDE, sobretudo entre os países mais desenvolvidos.
A Ciências, Portugal obteve 482 pontos, exatamente o mesmo valor da média da OCDE. Este resultado foi superior ao observado na Espanha (477 pontos), Croácia (476) e Dinamarca (478), embora ligeiramente abaixo de países como a França e Itália (483).
Na Leitura, Portugal alcançou 462 pontos, ultrapassando marginalmente a média da OCDE, que se situou nos 461 pontos. O desempenho português foi superior ao de países como Espanha (451) e França (456), mas ficou aquém da Alemanha (465), Bélgica (466) e Itália (474).
A Matemática foi o único domínio em que Portugal apresentou um resultado inferior à média da OCDE: 460 pontos, face a 463. Apesar da diferença ser reduzida, a Matemática continua a ser a área em que os alunos portugueses apresentam um desempenho relativamente mais baixo no contexto internacional. Ainda assim, Portugal superou países como Espanha (457) e França (458), ficando atrás da Alemanha (464) e Itália (468).
De um modo geral, os resultados portugueses encontram-se muito próximos da média da OCDE e do desempenho de outros países europeus. Contudo, a distância para os sistemas educativos com melhores resultados a nível internacional permanece significativa. Destacam-se, em particular, vários países e economias asiáticos, como China, Singapura, Japão, Macau e Taiwan, que registaram pontuações médias superiores a 500 pontos nos três domínios avaliados.