EDUSTAT - 8% dos jovens não trabalha nem estuda

8% dos jovens não trabalha nem estuda

setembro de 2026


A transição entre o sistema de ensino e o mercado de trabalho é uma fase decisiva, especialmente para os mais jovens que procuram o primeiro emprego. Uma passagem malsucedida pode ter repercussões, desde logo uma maior vulnerabilidade social e económica, refletida num maior risco de pobreza ou exclusão social e dificuldade de integração futura no mercado de trabalho. Esta etapa, quando mal gerida, pode levar muitos jovens à condição de NEEF (Nem Emprego, Educação ou Formação), representando não apenas uma perda de potencial individual, mas também com impacto a nível económico e da coesão social dos países a médio/longo prazo.

A taxa NEEF é, deste modo, um indicador que expressa a proporção de jovens que não se encontram no mercado de trabalho – estão desempregados ou inativos – nem estão no sistema educativo (não frequentam a escola, universidade ou outro tipo de formação). A Comissão Europeia estabeleceu como meta para 2030, a redução da taxa de jovens (15-29 anos) que não estão a trabalhar, nem em educação ou formação para menos de 9%.


8% dos jovens em Portugal não estuda nem trabalha

Em 2025, cerca de 8% dos jovens entre os 15 e os 29 anos em Portugal encontravam-se fora do emprego, da educação e da formação. Trata-se do valor anual mais baixo registado desde o início desta série estatística, em 2000.

De forma geral, a evolução da taxa de jovens NEEF tem acompanhado as oscilações da economia. Durante a crise financeira, a proporção de jovens nesta situação aumentou de forma expressiva, atingindo 16,5% em 2013. Nos anos seguintes, verificou-se uma redução gradual, até aos 9,1% registados em 2019. Contudo, a tendência foi interrompida em 2020, no contexto da pandemia, quando a taxa voltou a subir para 11%.

Após esse aumento, a percentagem de jovens que não se encontravam nem a trabalhar nem a estudar retomou uma trajetória descendente. Desde 2022, a taxa tem-se mantido abaixo dos 9%, alcançando, em 2025, o valor mais baixo de toda a série.

Ao longo das últimas décadas, a incidência da condição de NEEF foi, de forma geral, mais elevada entre as mulheres do que entre os homens. No entanto, esta diferença tem vindo a reduzir-se e, desde 2020, as discrepâncias entre géneros têm sido pouco significativas. Em 2025, 8,1% dos homens encontravam-se na condição de NEEF, um valor apenas 0,2 pontos percentuais acima do registado nas mulheres (7,9%) na faixa etária dos 15 aos 29 anos.



A percentagem de jovens NEEF em Portugal está abaixo da média europeia

A percentagem de jovens que não trabalham nem estudam em Portugal (8%) estava, em 2025, 2,4 pontos percentuais abaixo da média europeia (11%) e já se encontrava abaixo da meta defina pela Comissão Europeia para o ano de 2030, de 9%. Entre os 27 países da UE, Portugal encontrava-se entres os 5 países com a menor taxa de NEEF entre os jovens dos 15 aos 29 anos.

A nível europeu, a proporção de jovens NEEF oscilou, em 2025, entre valores superiores a 13%, designadamente na Roménia, Bulgária, Grécia e Itália e valores inferiores a 6% nos Países Baixos e na Suécia.



Os jovens mais qualificados apresentam um menor risco NEEF

O nível de escolaridade constitui um dos principais fatores associados ao risco de os jovens se encontrarem na condição de NEEF. Em 2025, a percentagem de jovens que não se encontravam nem a trabalhar nem a estudar ou frequentar uma formação foi de 6,4% entre os diplomados do ensino superior. Este valor situava-se 1,5 pontos percentuais abaixo do registado entre os jovens com o ensino básico (7,9%) e 2,6 pontos percentuais abaixo da taxa observada entre os jovens com o ensino secundário.

Em Portugal, a proporção de jovens NEEF foi, em 2025, inferior à média da União Europeia em todos os níveis de escolaridade. A diferença mais acentuada verificou-se entre os jovens com o ensino básico: enquanto em Portugal a taxa foi de 7,9%, a média da UE-27 atingiu os 12,9%, correspondendo a uma diferença de 5 pontos percentuais.

Entre os jovens com ensino superior, a distância face à média europeia foi menos significativa. Em Portugal, 6,4% dos diplomados do ensino superior encontravam-se na condição de NEEF, comparativamente com 8% na média da UE-27, uma diferença de 1,6 pontos percentuais.



A percentagem de jovens NEEF é superior no Algarve e nas ilhas

A proporção de jovens que não se encontravam nem a trabalhar nem a estudar ou frequentar uma formação variou de forma significativa entre as diferentes regiões de Portugal. Em 2025, o Algarve e as Regiões Autónomas registaram as percentagens mais elevadas de jovens na condição de NEEF, com valores superiores a 10%.

Em sentido contrário, as regiões Norte e Centro apresentaram as taxas mais baixas, com menos de 7,5% dos jovens entre os 15 e os 29 anos a encontrarem-se fora do emprego, da educação e da formação.



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