EDUSTAT - Metade dos trabalhadores recebe menos de 1.050€ líquidos

Metade dos trabalhadores recebe menos de 1.050€ líquidos

abril de 2026

A 1 de maio celebra-se o Dia Internacional do Trabalhador. Para assinalar esta data, o EDUSTAT apresenta alguns indicadores relacionados com as condições laborais dos trabalhadores em Portugal, nomeadamente a evolução dos salários ao longo dos últimos anos, segmentando a análise de acordo com as características demográficas dos trabalhadores tal como o sexo, faixa etária ou nível de escolaridade.

Salário médio líquido atingiu os 1.280€ em 2025

De acordo com os dados do Inquérito ao Emprego, do Instituto Nacional de Estatística (INE), o salário médio líquido1 dos trabalhadores por conta de outrem fixou-se em 1.280€ em 2025, o valor mais elevado dos últimos 14 anos. Em comparação com 2024 (1.211€), registou-se um aumento real2 de 5,7%, sendo esta a segunda maior subida anual da última década, apenas superada pelo crescimento de 7,4% entre 2023 e 2024.

Entre 2011 e 2025, o rendimento médio líquido real aumentou 23,7%, o que corresponde a mais 245€, ou seja, um crescimento médio anual próximo dos 18€ neste período.

Ao analisar os dados por sexo, verifica-se que, ao longo de todo o período (2011-2025), o salário médio líquido foi sempre superior nos homens. Em 2025, os homens auferiram, em média, 1.384€, enquanto as mulheres receberam cerca de 1.182€, o que representa uma diferença de 202€ e uma disparidade salarial de 17,1% a favor dos homens.

Metade dos trabalhadores recebe menos de 1.050€ líquidos

Tendo em conta a distribuição salarial - marcada por uma elevada concentração de trabalhadores com rendimentos próximos do salário mínimo (mais de 20%) e uma pequena proporção com rendimentos muito elevados - a análise do salário mediano 3 permite uma leitura mais representativa da realidade da maioria dos trabalhadores.

Em 2025, metade dos trabalhadores em Portugal recebeu menos de 1.050€ líquidos, ainda assim este foi o salário mediano mais alto desde 2011. Face a 2024 (1.023€), o aumento real foi de 2,6%. Comparando com 2011 (803€), verifica-se um crescimento de 31%. Este aumento significativo está, em parte, associado à subida do salário mínimo nacional, que passou de 485€ em 2011 para 870€ em 2025, em termos nominais.

Tal como acontece com o salário médio, também o salário mediano líquido foi sempre mais elevado nos homens ao longo do período analisado. Ainda assim, as diferenças são menos acentuadas: em 2025, a disparidade salarial mediana foi de 15%, também favorável aos homens.



Os mais jovens continuam a auferir salários mais baixos

A análise dos rendimentos médios por faixa etária revela diferenças significativas entre trabalhadores mais jovens e mais velhos. Em 2025, os trabalhadores entre os 16 e os 24 anos registaram um salário médio líquido de 914€, enquanto os que têm entre 25 e 34 anos auferiram 1.214€. Estes valores situam-se, respetivamente, 28,6% e 5,1% abaixo da média nacional (1.280€).

Em contraste, todos os grupos etários com mais de 35 anos apresentaram salários médios líquidos superiores à média nacional. Destacam-se os trabalhadores entre os 35 e os 44 anos, com 1.331€ (mais 4%), e os dos 45 aos 54 anos, com 1.344€ (mais 5%).

Apesar de continuarem a ser os mais mal remunerados, o salário dos trabalhadores mais jovens foi o que mais cresceu nos últimos anos. Entre 2011 e 2025, o salário médio líquido real aumentou 30,9% no grupo dos 16 aos 24 anos e 27,3% no dos 25 aos 34 anos, valores superiores ao crescimento médio nacional (23,7%) e também acima dos restantes grupos etários, como os 35-44 anos (24,1%), os 45-54 anos (20,1%) e os 55-64 anos (11,5%).

No que diz respeito ao salário mediano líquido, as diferenças entre faixas etárias são menos pronunciadas, embora os mais jovens continuem a apresentar rendimentos inferiores. Em 2025, metade dos trabalhadores com menos de 25 anos recebeu até 900€, valor próximo do salário mínimo. Já entre os 25 e os 34 anos, o salário mediano situou-se nos 1.010€. Para os trabalhadores entre os 35 e os 54 anos, o valor mediano atingiu os 1.100€.



Rendimento líquido dos trabalhadores com ensino superior ainda está abaixo dos níveis de 2011

Em 2025, o salário médio líquido dos trabalhadores com ensino superior fixou-se em 1.662€, situando-se 382€ acima da média nacional. A diferença é ainda mais expressiva quando comparada com os trabalhadores com menores níveis de escolaridade: mais 684€ face aos que têm ensino básico (978€) e mais 551€ em relação aos que concluíram o ensino secundário (1.111€).

Apesar disso, a vantagem salarial associada a níveis mais elevados de qualificação tem vindo a diminuir ao longo do tempo. Em 2011, os trabalhadores com ensino superior auferiam, em média, mais 71% do que os que tinham ensino secundário; em 2025, essa diferença reduziu-se para 50%.

Esta evolução resulta, em parte, de dinâmicas distintas entre níveis de escolaridade. Enquanto os salários médios líquidos reais dos trabalhadores com ensino básico e secundário cresceram, respetivamente, 22,3% e 10,9% entre 2011 e 2025, os trabalhadores com ensino superior ainda não recuperaram os níveis anteriores à última crise financeira, apresentando em 2025 um valor 3,1% inferior ao registado em 2011.

Entre os trabalhadores mais jovens (25-34 anos), o prémio salarial associado ao ensino superior é menor, embora continue a ser significativo. Em 2025, os jovens com ensino superior ganharam, em média, mais 52% do que aqueles com apenas o ensino básico e mais 39% face aos que têm ensino secundário. No conjunto da população, estas diferenças foram mais elevadas: 70% e 50%, respetivamente.



Referências:

1 Salário médio, após impostos e contribuições dos trabalhadores por conta de outrem.
2 Ajustado à taxa de inflação.
3 Valor na qual metade da população tem um rendimento abaixo e outra metade tem um rendimento acima.